domingo, 19 de março de 2017

FELICIDADE NO TRABALHO É POSSÍVEL?

Está difícil encontrar motivação para o trabalho? Saiba como descobrir felicidade na rotina, segundo o filósofo e professor Mário Sérgio Cortella

"Encontrar alegria na carreira é um sonho antigo da humanidade. O filósofo chinês Confúcio (551 a.C.- 479 a.C) já arriscava um plano: “Busque um trabalho que você ame, e nunca mais terá que trabalhar um dia em sua vida”.
No Brasil de 2016, o velho ideal parece especialmente distante. Combine crise econômica, instabilidade política, conflitos sociais e desemprego galopante, e está pronta a receita de veneno para a motivação de qualquer profissional.

Para o filósofo, educador e palestrante Mário Sérgio Cortella, os problemas conjunturais do país têm impacto inegável sobre a disposição do brasileiro para o trabalho. Mas o desânimo para levantar na segunda-feira de manhã também admite outras explicações, inclusive de natureza existencial.

Em entrevista exclusiva a EXAME.com, o estudioso discute os mecanismos por trás da motivação para o trabalho, o segredo para encontrar alegria na obrigação, entre outras questões centrais de seu novo livro, “Por que fazemos o que fazemos? ” (Editora Planeta, 2016).
Na conversa, Cortella desconstrói o mito de que rotina e felicidade não se misturam, mas dá um puxão de orelha nos jovens que só esperam fazer o que gostam em suas carreiras. “É preciso ter o prazer como uma das referências para o trabalho, mas não como referência exclusiva”, afirma. “Sempre é necessário um desgaste para que você atinja um resultado”.

Confira a seguir os principais trechos da conversa com o filósofo, em que ele diz o que pensa sobre temas como propósito, obsessão pela carreira e equilíbrio entre lazer e trabalho:
 
EXAME.com – Em seu novo livro, você discute uma das maiores fontes de mal-estar do mundo contemporâneo: a dificuldade de encontrar motivação para o trabalho. Essa é uma questão sentida especialmente pelos jovens?
Mário Sérgio Cortella – Antes de tudo, é preciso distinguir motivação e incentivo. Motivação é aquilo que move, que movimenta, como um motor. É, portanto, algo interno, precisa estar dentro de nós. É possível incentivar outra pessoa, dar estímulos. Mas não dá para motivá-la.
Hoje, o jovem tem esse “motor interno” pouco acelerado em relação ao trabalho. As gerações anteriores, ao contrário, viam no trabalho uma obrigatoriedade, porque não dava para viver sem trabalhar e era preciso começar cedo.
Acontece que, nas últimas décadas, o Brasil construiu condições econômicas mais sólidas e uma parcela das famílias decidiu que iria subsidiar a ausência de ganho dos seus filhos. Isso faz com que o jovem tenha uma motivação muito menor. Se eu tenho 18, 19 anos, por que investir na carreira, se posso dedicar o meu tempo ao lazer? Uma parte dos pais e mães enfraqueceu a formação dos filhos nessa direção. Sob o pretexto de poupá-los, produziu e produz um efeito que é danoso.
EXAME.com – E agora? O que faz um jovem ter disposição para acordar na segunda-feira de manhã e ir trabalhar feliz?
Mário Sérgio Cortella – Em primeiro lugar, o propósito. Ele só ficará motivado se enxergar que aquilo para que vai se esforçar tem uma finalidade clara para ele.
Reconhecimento também é essencial, é a coisa de que o jovem mais necessita. Ele precisa ser entendido como alguém importante, porque a questão autoral se tornou central. O profissional não quer mais ser tratado apenas como uma peça de uma grande máquina, ele quer ser autor de algo. É a mesma lógica da matéria assinada por um jornalista: aparece lá o nome dele, mesmo que seja pequenininho. No mundo do trabalho, o reconhecimento se tornou mais importante do que a própria sobrevivência.
EXAME.com – Quando falam sobre seus ideais de carreira, muitos jovens dizem que querem “fazer o que gostam”. Eles estão confundindo prazer e obrigação?
Mário Sérgio Cortella – Uma das melhores coisas da vida é fazer o que se gosta. Só um tonto vai querer fazer algo desagradável. O que não posso esquecer é que, para chegar ao resultado de que eu gosto, há várias etapas pelas quais eu passarei que serão desagradáveis. Sempre é necessário um desgaste para que você atinja um resultado.
Os nossos medalhistas de ouro na Olimpíada precisaram fazer várias coisas de que não gostavam para chegar ao lugar de que gostaram, que é o primeiro lugar do pódio. É preciso ter o prazer como uma das referências para o trabalho, mas não como referência exclusiva. Se não for assim, haverá muita tristeza e frustração.

EXAME.com – Por mais prazeroso que seja, qualquer trabalho implicará repetição e rotina. É possível ter uma rotina prazerosa, ou isso é um paradoxo?
Mário Sérgio Cortella – É possível sim. Rotina é simplesmente uma forma de organização do trabalho. Não devemos confundir rotina com monotonia. Todos os dias eu levanto cedo, vou para meu escritório, sento para escrever, dou palestras. É uma rotina, isto é, uma atividade organizada, estruturada. Ela não produzirá distração nem chateação, a não ser que vire monotonia.
Quando eu entro num avião, quero que o piloto siga a sua rotina, mas não quero que ele entre num estado de monotonia. A rotina será prazerosa se eu enxergar o resultado dela como prazeroso. Quando deixa de ser assim, vira monotonia. É quando eu não vejo a hora de ir embora, de deixar tudo para trás.
EXAME.com – O excesso de trabalho está roubando cada vez mais tempo do lazer e da convivência familiar. Num mercado tão competitivo, ainda é possível ter uma carreira de sucesso sem sacrificar a felicidade em outros âmbitos da vida?
Mário Sérgio Cortella – É evidente que você precisa se dedicar à carreira, mas não pode deixar que apenas um aspecto da vida obscureça todos os demais. É preciso buscar um equilíbrio entre as diversas faces da existência. E esse equilíbrio é igual ao necessário para andar de bicicleta: você precisa estar sempre em movimento para não cair.
Equilíbrio significa ser capaz de ir aos extremos sem se perder neles. Você pode ter uma alimentação equilibrada mas, de vez em quando, mergulhar com alegria numa garrafa de vinho, num churrasco. Mas não vai fazer isso todo dia, toda hora. Da mesma forma, quando as pessoas fazem cursinho pré-vestibular, elas não têm fim de semana, não têm balada, não têm nada. Mas ninguém vai passar o resto da vida fazendo cursinho, se não enlouquece.
Uma pessoa que passa o tempo todo obcecada pela carreira está adoentada. É preciso cautela, porque isso vai torná-la infeliz. Há momentos na vida em que você vai se dedicar mais aos filhos do que à sua carreira. Em outros, você precisará trabalhar por 12,13 horas por dia e ficará menos tempo com a família. O importante é não se perder nos extremos, mas saber transitar entre eles.
EXAME.com – Não vivemos numa cultura que incentiva os extremos?
Mário Sérgio Cortella – Sem dúvida. Existe a ideia de que sucesso significa trabalho contínuo, que você deve esquecer os outros aspectos da vida. Nossa cultura incentiva isso, suga as pessoas, vai exaurindo suas forças, transformando cansaço em estresse. O cansaço resulta de um esforço intenso. O estresse é quando você já não tem compreensão do que está fazendo.


No entanto, o que é imposto pela cultura não é obrigatório. É preciso andar na contramão dessa ideia e tentar buscar o equilíbrio entre as diversas faces da vida. Não é fácil, mas também não é impossível."
Disponível em: http://exame.abril.com.br/carreira/cortella-diz-qual-e-o-segredo-para-acordar-feliz-na-2a-feira/

quarta-feira, 1 de março de 2017

LIÇÕES DE LIDERANÇA DO FILME ESTRELAS ALÉM DO TEMPO

"1961. Em plena Guerra Fria, Estados Unidos e União Soviética disputam a supremacia na corrida espacial ao mesmo tempo em que a sociedade norte-americana lida com uma profunda cisão racial, entre brancos e negros. Tal situação é refletida também na NASA, onde um grupo de funcionárias negras é obrigada a trabalhar a parte. É lá que estão Katherine Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughn (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe), grandes amigas que, além de provar sua competência dia após dia, precisam lidar com o preconceito arraigado para que consigam ascender na hierarquia da NASA".

O filme em cartaz "Estrelas além do tempo" possui aquela maravilhosa capacidade de nos provocar emoção e de nos fazer acreditar na capacidade de superação e de transformação do ser humano. Delicado e contundente ao mesmo tempo, nos faz refletir sobre questões, que há muito incomodam a humanidade, relativas à luta pela igualdade, ao respeito às diferenças e o poder transformador de uma mente determinada.

Mas não é só.  O filme nos surpreende também com valiosas lições de liderança, capazes de despertar em nós um espírito inconformista, provocar e imprimir o desejo por mudanças.

Passemos, então, a refletir sobre algumas dessas lições:

1) LÍDERES NÃO DEVEM SE DETER DIANTE DE LIMITES OU DIFICULDADES IMPOSTAS PELO SISTEMA

Na rotina das equipes de trabalho é muito comum nos depararmos com limites institucionais/organizacionais, os quais impedem ou dificultam a utilização de nossos talentos /habilidades na realização de nossas atividades e, nesses momentos é preciso que a liderança assuma uma postura de inconformista do bem.  Isto é, a liderança não pode se deter e precisa valer-se do inconformismo para traçar estratégias que levem a equipe a encontrar novos paradigmas que serão adotados na medida em que foram compreendidos como necessários ao seu aprimoramento.  Diante de uma ameaça, líderes não devem se acovardar, mas buscar novos recursos e habilidades.

2) LÍDERES SÃO COMPROMETIDOS COM MELHORIAS CONSTANTES, COM SEU DESENVOLVIMENTO E DA SUA EQUIPE  

Em um mundo de transformações constantes, líderes precisam adotar postura de eternos aprendizes.  Ninguém sabe tudo.  Nenhum conhecimento é suficiente.  Sempre haverá algo novo a ser apreendido.  Não existem modelos de sucesso que durem para sempre. Precisamos estar sempre atentos às mudanças para que possamos adequar nossos conhecimentos e habilidades às novas realidades e assim fazer frente às dificuldades, buscando superá-las com determinação e criatividade, evitando que membros da equipe sejam atingidos pela obsolescência.

3) LÍDERES ANTECIPAM-SE AO FUTURO 

Em meio a velocidade em que as mudanças vem ocorrendo em nossa sociedade, líderes não devem esperar que as mudanças ocorram para buscar novas estratégias, mas sim precisam se antecipar a elas, buscando novos conhecimentos e novos paradigmas para que os acontecimentos não surpreendam sua equipe, mas já a encontre preparada para os novos desafios. Na maioria das vezes é possível perceber que algo está mudando e em breve essa novidade irá nos atingir, então, não devemos esperar, mas precisamos nos movimentar em busca do novo antes mesmo que ele seja uma realidade para nós. 

4) LIDERAM PELO EXEMPLO

Qualquer que seja a situação, líderes precisam dar o exemplo. Nas equipes de sucesso, onde o clima organizacional é percebido como saudável e motivador e os resultados são excelentes, certamente a liderança exerce seu papel com maestria, estimulando seus parceiros de equipe a encontrar o seu melhor, motivando a todos ao desenvolvimento permanente, à superação das dificuldades, ao compartilhamento do conhecimento, exercício da criatividade e especialmente ao respeito às diferenças.  Isto significa que os líderes não podem descuidar de sua própria motivação e de seu compromisso com a qualificação permanente, garantindo habilidades e recursos novos para o exercício de suas funções com entusiasmo e energia positiva. 

5) LÍDERES SÃO LEAIS A SUA EQUIPE 

A liderança eficaz não pensa somente em si e seu próprio crescimento, mas identifica na sua equipe as suas habilidades e dificuldades e enquanto se desenvolve, fomenta a qualificação e o desenvolvimento de seus parceiros.  Não desejam o melhor somente para si, mas almejam a felicidade para todos, isto é, o nível de felicidade e de satisfação de seus liderados é tão importante quanto o seu.  Líderes de excelência produzem novas lideranças, abrindo caminhos, propiciando oportunidades de desenvolvimento e qualificação permanentes.

Por hoje é só.

Espero que possam assistir ao filme e refletir sobre as ideias aqui lançadas.  A vida é movimento e se quisermos atingir a excelência precisaremos nos desafiar, investir permanentemente em nossas habilidades e superar nossas precariedades.

Abraços e até a próxima!

domingo, 19 de fevereiro de 2017

ERROS DE GERENTES RUINS AFASTAM BONS FUNCIONÁRIOS

Gerentes tendem a jogar a culpa de seus problemas em tudo e em todos, ignorando o cerne da questão: as pessoas não deixam empregos, elas deixam gerentes.

Travis Bradberry



É incrível quantas vezes você escuta gerentes reclamando sobre seus melhores funcionários estarem deixando seus trabalhos, e eles realmente têm motivo para reclamar - poucas coisas são tão caras e atrapalham tanto como uma boa equipe indo embora.
Gerentes tendem a jogar a culpa de seus problemas em tudo e em todos, ignorando o cerne da questão: as pessoas não deixam empregos, elas deixam gerentes.
O triste é que isso pode ser facilmente evitado. Tudo o que é necessário é uma nova perspectiva e algum esforço extra por parte do gestor.
As organizações sabem o quão importante é ter funcionários motivados e engajados, mas a maioria não consegue responsabilizar os gerentes para que isso aconteça.
Quando não sabem, a linha inferior sofre.
Uma pesquisa da Universidade da Califórnia descobriu que funcionários motivados eram 31% mais produtivos, faziam 37% mais vendas e eram três vezes mais criativos do que funcionários desmotivados. Eles também eram 87% menos propensos a pedir demissão, de acordo com um estudo do Conselho de Liderança Corporativa feito com mais de 50 mil pessoas.
Uma pesquisa da Gallup mostrou, surpreendentemente, que 70% da motivação de um funcionário é influenciado pelo seu gerente. Então, vamos dar uma olhada em algumas das piores coisas que os gerentes fazem que colocam as melhores pessoas para correr.
Eles sobrecarregam as pessoas. Nada esgota bons empregados como sobrecarregá-los. É tão tentador fazer com que o seu melhor pessoal trabalhe duro que os gerentes frequentemente caem nessa armadilha. Sobrecarregar bons funcionários é desconcertante; eles sentem que estão sendo punidos por trabalhar bem. Isso também é contraproducente. Uma nova pesquisa de Stanford mostra que a produtividade por hora declina acentuadamente quando a semana de trabalho excede 50 horas, e a produtividade cai tanto depois de 55 horas que você não consegue fazer mais nada no trabalho. 

Se você precisa aumentar a quantidade de trabalho dada a funcionários talentosos, então também aumente o status dado a eles. Funcionários talentosos podem assumir uma carga de trabalho maior, mas eles não ficarão na empresa se o trabalho os sufocar no processo. Aumentos, promoções e alterações de título são formas aceitáveis ​​de aumentar a carga de trabalho. Se você aumentar simplesmente a carga de trabalho porque seus funcionários são talentosos, sem mudar nada, eles irão procurar um outro trabalho que lhes dê o que merecem.

Eles não reconhecem contribuições e recompensam um bom trabalho. É fácil subestimar o poder de um tapinha nas costas, especialmente com aqueles de melhor desempenho, que são intrinsecamente motivados. Todo mundo gosta de elogios, e aqueles que trabalham duro e dão tudo de si não são diferentes. Os gerentes precisam se comunicar com seus funcionários para descobrir o que os faz se sentir bem (para alguns, é um aumento, para outros, é reconhecimento público) e, em seguida, recompensá-los por um trabalho bem feito. Com os melhores funcionários, isso vai acontecer com frequência, se você estiver fazendo isso direito.
Eles não conseguem desenvolver as habilidades das pessoas. Quando os gerentes são perguntados sobre sua falta de atenção aos funcionários, eles tentam se desculpar, usando palavras como "confiança", "autonomia" e "empoderamento". Isso é um absurdo completo. Bons gerentes gerenciam, não importa quão talentoso o empregado. Eles prestam atenção e estão constantemente ouvindo e dando feedback.
Gestão pode ter um início, mas certamente não tem um fim. Quando você tem um funcionário talentoso, cabe a você continuar encontrando áreas em que eles podem melhorar para expandir seu conjunto de habilidades. Os funcionários mais talentosos querem feedback - mais do que os menos talentosos - e é seu trabalho manter isso em progresso. Se você não fizer isso, suas melhores pessoas se tornarão entediadas e complacentes.
Eles não se preocupam com seus funcionários. Mais da metade das pessoas que deixam seus empregos o fazem por causa de sua relação com seu chefe. Empresas inteligentes asseguram que seus gerentes sabem como equilibrar o lado profissional e o pessoal. Estes são os patrões que celebram o sucesso de um empregado, simpatizam com aqueles que atravessam tempos difíceis, e desafiam as pessoas, mesmo quando dói. Os chefes que não se importam realmente sempre terão altas taxas de rotatividade. É impossível trabalhar para alguém mais de oito horas por dia, quando eles não estão pessoalmente envolvidos e não se preocupam com nada além do seu rendimento de produção.
Eles não honram seus compromissos. Fazer promessas às pessoas coloca você na linha fina que fica entre torná-los muito felizes e vê-los sair pela porta. Quando você mantém um compromisso, você cresce nos olhos de seus funcionários, porque você prova ser digno de confiança e honrado (duas qualidades muito importantes em um chefe). Mas quando você desconsidera seu compromisso, você se apresenta como alguém desrespeitoso, sem palavra, que não se preocupa. Afinal, se o chefe não honra seus compromissos, por que as outras pessoas deveriam honrar?

Eles contratam e promovem as pessoas erradas. Funcionários bons e trabalhadores querem trabalhar com profissionais com a mesma opinião. Quando os gerentes não fazem o trabalho duro de contratar boas pessoas, é um grande desmotivador para aqueles que ficam presos trabalhando ao lado deles. Promover as pessoas erradas é ainda pior. Quando você trabalha duro apenas para ser passado para trás na hora de uma promoção e vê que alguém com desempenho fraco está subindo na empresa, isso é um insulto gigantesco. Não surpreende que isso faça as pessoas irem embora.

Eles não deixam as pessoas seguirem suas paixões. Funcionários talentosos são apaixonados. Proporcionar oportunidades para que eles persigam suas paixões melhora sua produtividade e satisfação no trabalho. Mas muitos gerentes querem que as pessoas trabalhem dentro de uma pequena caixa. Esses gerentes temem que, ao deixar as pessoas expandirem seu foco e perseguirem paixões, a produtividade caia. Esse medo é infundado. Estudos mostram que as pessoas que são capazes de perseguir suas paixões no fluxo de experiência de trabalho, um estado de espírito eufórico que é cinco vezes mais produtivo do que o normal.
Eles não conseguem envolver a criatividade. Os funcionários mais talentosos procuram melhorar tudo o que tocam. Se você tirar a sua capacidade de mudar e melhorar as coisas porque você está confortável com o status quo, isso faz com que eles odeiem seus trabalhos. Encerrar este desejo inato de criar não só os limita, mas também o limita enquanto gestor.
Eles não desafiam intelectualmente as pessoas. Grandes chefes desafiam seus funcionários a realizar coisas que parecem inconcebíveis no início. Em vez de definir metas mundanas, incrementais, eles estabelecem metas elevadas que empurram as pessoas para fora de suas zonas de conforto. Então, os bons gerentes fazem tudo em seu poder para ajudá-los a ter sucesso. Quando pessoas talentosas e inteligentes se veem fazendo coisas que são muito fáceis ou aborrecidas, buscam outros empregos que desafiem seus intelectos.
Resumindo tudo

Se você quer que suas melhores pessoas permaneçam em sua organização, você precisa pensar cuidadosamente sobre como você os trata. Bons funcionários podem ser durões, mas seu talento lhes dá uma abundância de opções. Você precisa fazê-los querer trabalhar para você.

Que outros erros fazem com que grandes funcionários peçam demissão? Por favor, compartilhe seus pensamentos na seção de comentários abaixo, enquanto aprendo tanto com você quanto comigo.
(A inspiração para este artigo veio de uma publicação de autoria de Mike Myatt.)
Disponível em: http://www.administradores.com.br/artigos/carreira/erros-de-gerentes-ruins-que-afastam-bons-funcionarios

sábado, 21 de janeiro de 2017

UMA PESSOA RUIM NUNCA SERÁ UM BOM PROFISSIONAL


Raquel Brito
 “Uma pessoa ruim nunca será um bom profissional”, afirmou o pai das inteligências múltiplas, Howard Gardner, em uma entrevista concedida ao jornal espanhol La Vanguardia.
Essa entrevista trouxe reflexões muito interessantes e, com isso, nos deu a possibilidade de amadurecer uma ideia que é o reflexo de uma verdade arrasadora. Somente as pessoas boas podem vir a ser excelentes profissionais. As pessoas ruins, por sua vez, nunca chegarão a isto, mesmo sendo verdade que possam alcançar grande perícia técnica.

Isto nos leva a pensar na possibilidade de classificar as pessoas em boas e más. Realmente esta diferenciação parece fictícia, pois os seres humanos não são uma dicotomia, mas sim uma amálgama de qualidades.
Estas qualidades, obviamente, podem ser entendidas como boas ou ruins. Quando colocamos na balança a combinação delas, talvez pese mais a parte obscura do que a brilhante; esse é justamente o sentido da frase que encabeça o artigo.
-Howard Gardner-
A bondade e o equilíbrio, a base do nosso profissionalismo
É preciso haver um equilíbrio entre o compromisso, a ética e a excelência para chegar a ser um bom profissional. Digamos que para “ser bom de verdade” é preciso colocar a alma, emoções, sentimentos e afinco ao próprio trabalho. Neste sentido, este fragmento da entrevista de Howard Gardner não tem desperdício, pois reflete a tremenda sensatez com a qual se adequa às suas palavras:
-Entrevistador: Por que existem excelentes profissionais que são pessoas ruins?
-Howard: Descobrimos que essas pessoas não existem. Na verdade, as pessoas ruins não podem ser profissionais excelentes. Nunca chegam a ser. Talvez possam ter uma perícia técnica, mas não são excelentes.
-E: Eu tenho em mente algumas exceções…
-H: O que comprovamos é que os melhores profissionais são sempre ECE: excelentes, comprometidos e éticos.
-E: Você não pode ser excelente profissional, mas um bicho ruim como pessoa?
-H: Não, porque você não alcança a excelência se não for mais além de satisfazer o seu ego, sua ambição ou sua avareza. Se você não se comprometer, portanto, com objetivos que vão mais além das suas necessidades para servir as de todos. E isso exige ética.
-E: Para se tornar rico, com frequência incomoda.
-H: Sem princípios éticos você pode chegar a ser rico, sim, ou tecnicamente bom, mas não excelente.
-E: É reconfortante saber disto.
-H: Hoje em dia nem tanto, porque também descobrimos que os jovens aceitam a necessidade de ética, mas não no início da carreira, pois acham que sem dar cotoveladas não irão triunfar. Enxergam a ética como o luxo de quem já alcançou o sucesso.
A importância de ser, acima de tudo, uma alma humana
“Conheça todas as teorias. Domine todas as técnicas, mas quando tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana”. Estas são palavras do emblemático psicanalista Carl Gustav Jung, palavras que escondem uma realidade certeira.
É importante que antes de profissionais, sejamos pessoas. É isso que traz equilíbrio no desenvolvimento das nossas qualidades profissionais. Não podemos nos desligar de nós mesmos; ou seja, de certa forma não podemos dissociar nossas vidas interiores das nossas vidas profissionais.
Falamos de essência, dessas qualidades que nos ajudam a não nos perdermos entre as pessoas, a nos conhecermos e desconhecermos, a transformar-nos através das lições, a ter um coração belo, a melhorar a cada dia e a nos contemplarmos como um arco-íris.
Porque, além disso, se há uma coisa que é preciso ter em mente é que as pessoas às vezes são branco, outras vezes preto, e às vezes mil cores. Equilibrando a balança em direção ao que é positivo conseguiremos alcançar a excelência nas nossas profissões, assim como nos diferentes âmbitos das nossas vidas.

Disponível em http://www.revistapazes.com/uma-pessoa-ruim-nunca-sera-um-bom-profissional/

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

É HORA DO LÍDER APARECER

Eugênio Mussak
O substantivo “recorrência” tem o significado de algo que se repete. Um fato recorrente é do tipo que vai acontecer de novo obedecendo, ou não, a um ciclo. 

Qualquer gestor que pense estrategicamente sabe que as recorrências devem ser respeitadas. 

São fatos relevantes. Quem ignora as recorrências corre o risco de cometer os mesmos erros e não aprender nada com eles.

Desde os estudos de Schumpeter sabemos que o mercado é cíclico, que a economia oscila como as ondas do mar e que as crises são, sim, recorrentes. Lidar bem com elas é qualidade dos gestores competentes e dos líderes preparados. Ninguém é julgado pelas crises que teve na vida, e sim pela maneira como reagiu a elas.

A desaceleração de economia não configura, necessariamente, uma crise, mas é um fato recorrente que impacta os resultados das empresas, que correm o risco de ver a desmotivação e o desânimo se instalarem nas equipes, que sentem a pressão – afinal o caixa não pode ser afetado, pois ele é o cálice sagrado que alimenta a todos.

Nessas horas, além de uma boa dose de bom senso, pelo menos três qualidades precisam ser acionadas: a resistência, para não deixar o ânimo cair; a eficiência, para tentar fazer mais com menos; e a criatividade, pois não podemos esperar novos resultados com velhas estratégias.

Estudos mostram que existem empresas que parecem nunca ser atingidas por crises e que mantêm seus resultados dentro de uma regularidade desconcertante. Será que o segredo dessa imunidade toda é o tipo de produto ou o mercado em que elas atuam? Ainda que esses fatores devam ser respeitados, a resposta é que essas empresas são capazes de prever as recorrências e se valem de ações preventivas, mitigadoras e corretivas.

Falando em recorrência, quantas vezes você já ouviu que é nos momentos difíceis que surgem os grandes líderes? Provavelmente tantas vezes que já está virando lugar comum, conceito cansado, quase um bordão de autoajuda.

Pode ser, mas nada disso elimina o componente de verdade que essa mensagem contém. O que não dá é parar o barco. E, no meio de uma crise, recessão ou dificuldade de qualquer natureza, é bom ter bem claro na mente que a vida é cíclica, que uma nova fase de abundância virá e que, por melhor que seja, também não durará para sempre.

Texto publicado sob licença da revista Você S/A, Editora Abril. Todos os direitos reservados

Disponível em http://www.eugeniomussak.com.br/e-hora-de-o-lider-aparecer/

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

LIDERAR É PRIORIZAR AS PESSOAS

"100% dos clientes são pessoas. 100% dos empregados são pessoas. Se você não entende de pessoas,  você não entende de negócios."  Simon Sinek, consultor e escritor

O ano de 2016 se despede e  algumas reflexões se tornam cada vez mais urgentes e necessárias aos líderes:  quais foram as prioridades eleitas para o ano que se encerra?  De que forma foram efetivamente atendidas e se não o foram, o que aconteceu?
Temos defendido ao longo do tempo, por meio de diversos temas abordados, que a maior responsabilidade dos líderes é cuidar das pessoas que compõem sua equipe e, isso significa que a maior parte das atividades a serem desenvolvidas devem ser delegadas de forma eficiente, a fim de que os líderes tenham tempo e espaço para liderar seus parceiros, a partir do mapeamento das habilidades e dificuldades de cada um, sem perder de vista os propósitos institucionais.
Acima de qualquer recurso material ou tecnológico, as pessoas devem ser a prioridade das lideranças, pois são elas que fazem acontecer quando são valorizadas, reconhecidas, validadas naquilo que já são capazes de realizar, ainda que possuam lacunas de desempenho a serem superados.
Para atingir esse nível de desenvolvimento nas equipes, discursos bonitos não bastam.  As lideranças precisam viver essa priorização na prática.  É preciso destinar tempo para conhecer e auxiliar a cada um dos integrantes da equipe a buscar qualificação e aprimoramento constantes, alavancando a qualidade do trabalho realizado e a produtividade.
Um importante passo nessa direção é buscar conhecer as necessidades individuais e os meios, institucionais ou não,  disponíveis para promoção dos seus parceiros e, através da prática de feedback constante, permitir ao colaborador compreender como seu trabalho está sendo percebido pela liderança e de que forma sua contribuição impacta na consecução dos objetivos da unidade. 
Em cada ser humano reside um potencial transformador que a liderança precisa fortalecer e estimular de acordo com a  individualidade e história de cada um, deixando clara a sua disponibilidade e reafirmando o caráter de serviço da função.  Afinal, liderar é servir. 
Assim, aproveite o clima de reflexão próprio deste período de festas e reveja suas prioridades.  Todo o sucesso de seus propósitos está relacionado com o nível de felicidade, desenvolvimento e valorização daqueles que compõem sua equipe.  Então, mãos à obra!  Ocupe seu espaço.  
Feliz 2017!